
Mangá
Os mangás, ou os quadrinhos japoneses, não diferem na evolução de sua trajetória dos outros países ateh chegar à forma definitiva de sua linguagem. Como em muitos países europeus ou asiáticos, no Japão foram muitos os marcos que definiram o que denominarmos de arte sequencial.
Na Idade Média japonesa, nos séculos 11 e 12, já se produziam desenhjos pintados sobre grandes rolos de papel de arroz contando uma história. Os mais famosos são chamados de Choujugiga (desenhos humorísticos de pássaros e animais), de origem sacra, elaborados pelo monge Kakuyu Toba. Até o século 15, muitos outros cartuns humorísticos eram bem conhecidos entre a população exatamente quando o país passava por inúmeras guerras impiedosas.
Outro tem muito popular a partir do século 15 foi o das histórias de fantasmas e assombração com cunho humorístico, como é o caso da "Caminhada Noturna de Cem Demônios" (Hyakki Yagyou), tema este presente até hoje no mangá moderno.
Foi, porém, no Período Edo que os quadrinhos japoneses deram um grande salto a partir das obras do artista Katsushita Hokusai, grande gravurista da modalidade Ukyiyo-e. Esse gênero de arte consistia na produção de gravuras em madeira, com temas populares, que projetou uma realidade mais livre do que os cânones tradicionais. Dessa forma, Hokusai, entre os anos 1814 e 1849, criou um conjunto de obras em 15 volumes designados como "Hokusai Manga". Os desenhos de forma caricatural - exagerando a forma dos seres humanos - tinham como tema a vida urbana, as classes sociais, a natureza fantástica e a personificação dos animais. Somente alguns anos mais tarde contudo, o mangá teve o nome adotado e consagrado por meio do desenhista Takuten Kitazawa. O desenhista pertence à geração de artistas pós-abertura dos portos do Japão que ocorreu em 1853, depois de mais de 200 anos de isolamento do país do resto do mundo, com exceção da Holanda. A nova era nipônica, chamada de Meiji, troxe muitas inovações para o país em várias áreas, inclusive no âmbito artístico e jornalístico, com a vinda de estrangeiros, principalmente da Europa. É nesse cenário que os japoneses conheceram as primeiras revista de humor de moldes inglese e franceses.
Kitazawa recebeu grande influência do inglês Charles Wirgman, que editou o jornal "The Japan Punch", trazendo para o meio jornalístico os moldes da impresa britânica com charges políticas que fascinaram os japoneses. O sucesso foi tão grande que surgiu a primeira revista japonesa de humor, "marumaru Shimbum", em 1877, e teve a duração de 30 anos. Os japoneses trocaram o pincel pela pena e os quadrinhos tomaram rumos diferentes no Japão. Eles, a princípio, começaram a traduzir muitas histórias norte-americanas que surgiram no início do século 20 na imprensa, mas, pouco a pouco, iniciaram uma produção local, pois perceberam que os temas e o tipo de humor não tinham muito a ver com a realidade nipônica. O outro grande marco editorial jaonês ocorreu na década de 20, com o início de publicações para crianças, fortalecendo-se na década posterior, onde jah havia um mercado nitidamente separado do adulto.
Após a Segunda Guerra Mundial, houve mais modificações na estrutura editorial dos mangás, com uma intensificação na produção específica para o público adolescente, dividido de sexto: Quadrinhos para garotas, os shojo manga, e para parazes, shonen manga, cobrindo uma faixa etária aproximadamente de 12 à 18 anos. É importante mencionar que, após a Segunda Guerra, havia poucos recursos materiais e financeiros, e cada setor teve que se adaptar às necessidades da época. No caso do mangá, o jeito foi utilizar o papel jornal como alternativa nas revistat. O artítico foi a impressão monocromática - variando do rosa, roxo ou azul claro - conforme o teor do enredo, sentidode esta caracterísca continua até hoje./
Outro diferencial é que as revistas de hitórias e em quadrinhos (HQs), conforme a faixa etária a que se destina, contém diferentes histórias, de autores diversos, cada uma seguindo sua série que, muitas vezes, duram alguns ano para chegar ao fim. A cada semana ou quinzena, a editora, a qual as revistas pertencem, faz uma pesquisa de opiniões para verificar o grau de contentamento dos leitores sobre as hitórias da revista.
No Japão, há cerca de uma centena de editoras de revistas de HQs, sendo as mais importantes a Shueisha, kodansha e shogagukkan, com as maiores tiragens. Atuamente asm editoras japonesas três segmentos de mercado com uma divisão de faixa etária e podemos classificá-las em três grande categorias:
1 - Revistas Infantis
Normalmente de cunho didático, se denominam Shogaku e abordam uma grande variedade de temas, que vão desde assuntos escolares, hobbies até conselhos úteis aos leitores mirins. Na parte central da revista, há a inclusão de uma história em quadrinhos versando sobre aventura, lendas antigas do país, histórias cômicas, etc. Sob a forma de entretenimento, as revistas infantis direcionam a criança não só para o aprendizado mas para sua inserção na sociedade japonesa, lembrando-as sempre do respeito aos mais velhos, como se comportar e a memorização das datas comemorativas do país.
2 - Revistas Femininas
Denominadas Shojo Manga, cobrem a fase da adilescência com grande sucesso de vendagem nas décadas de 70 e 80. Com cerca de 50 títulos, seu êxito deveu-se muito à identificação do público leitor feminino e às histórias que exploravam os enredos melodramáticos e o clima de romantismo. A temática sempre enfoca amores impossíveis, separações e rivalidades entre amigas. Uma característica marcante do Shojo Manga é que, embora o gênero tenha se iniciado por mãos masculinas, como Osamu Tezuka, ele é feito, em sua maioria, por jovens mulheres desenhistas. O Japão é o país onde há a maior incidência de mulheres no mercado.
3 - Revistas Masculinas
Denominadas Shonen Manga, têm como público rapazes adolescentes. alguns de seus títulosvenderam, na década de 80, milhões de exemplares semanais. Seu conteúdo, além dos quadrinhos, apresenta reportagens sobre esportes, artistas da época, competição entre escolas e novidades na área de samurai invencível e o esportista perseverante dentro da auto-disciplina, profissionalismo e competição. Todas têm como característica comum o espírito japonês que dá ênfase à rigidez moral e o fortalecimento do espírito, algo muito semelhante ao código de conduta do Bushido (o caminho do guerreiro samurai). Se as situações românticas prevalecem no mangá feminino, no Shonen Manga a violência em todas as suas modalidades é a principal característica das histórias masculinas.
Além dessa faixa mais definida de sexo e idade, a produção editorial japonesa contempla também mangás para adultos em diversas modalidades. Para as garotas qua saíram da adolescência, há revistas para jovens executivas, bem como para seus pares masculinos. Este último é denominado de Sarariman Manga. Também a terceira idade é contemplada com situações cômicas de comportamento de "tias" e "avós" por meio da revistas especiais dentro dessa temática.
Atualmente, com a introdução de desenhos mais realistas nas revistas femininas, o público masculino tem se desviado para as revistas do Shojo Manga, e muitos rapazes, cansados de ler histórias violentas, preferem ler algumas aventuras românticas do mangá feminino. O importante é que a indústria do mangá, com o passar do tempo, sempre soube captar tendências de comportamento, decodificá-las e transformá-las em sua linguagem característica, acompanhando também a evo-lução tecnológica.